O Teatrin constitui-se de pequenas caixas, onde acontecem os espetáculos. As apresentações são individuais, o que o torna muito propício para os pacientes que estão na cama ou que não podem sair dos quartos.
O primeiro paciente a ver o “show” foi Hagner da Silva, internado há 4 anos no hospital. Foi atropelado por um carro quando tinha 5 anos de idade e ficou tetraplégico. O interesse do menino, de voz rouca, devido ao respirador artificial, pelo funcionamento do mini-teatro emocionou a todos. “Ele vai ficar conosco para sempre”, explicou a enfermeira em voz baixa. Nas camas ao redor, vários olhinhos curiosos e esperançosos esperavam a sua vez de assistir o Teatrin sob o olhar grato dos pais e avós. A emoção envolveu os voluntários do Ibem.
Com o coração apertado o grupo foi para a Sala de Recreação. Toda decorada, lá o ambiente era de festa. Cerca de 20 crianças com seus pais brincavam por toda a parte. “Alguns pais brincam como se fossem crianças, muitos não tiveram infância e aqui aproveitam” explica a enfermeira–chefe da recreação, Clarissa de Leon. Foi o caso de Adão Lavi, cortador de pedra, responsável pelo sustento da mulher desempregada e dos sete filhos, dois dos quais internados no hospital “mas por pouco tempo”, confia ele. Assistiu a mini-peça e se animou tanto que acabou confessando que era dia do seu aniversário. Quando o coro de vozes infantis cantou "parabéns", Seu Adão com certeza reviveu sua infância.Logo após, o Teatrin foi para o setor de oncologia pediátrica, levando arte e alegria para os pequenos pacientes. Em cada quarto os voluntários ouviam uma história de vida, cheia de provações, sofrimento, mas muita esperança.
Dora Munhoz, mãe da Edilaine, de 12 anos, internada no setor de hemato-oncologia, abriu seu coração “Moramos em Alvorada, eu sou dona de casa e meu marido trabalha com comércio. Há 3 anos a Edilaine está passando por esse tratamento. Nesta última vez ela teve que retirar o baço. Isso tudo interfere nos estudos, mas, quando ela vem para o hospital, as colegas vem até aqui e a ajudam nas tarefas da escola. Íamos para casa hoje, mas agora um exame deu um resultado ruim e teremos que ficar”. Apesar de tudo isso, Edilaine não perde o lindo sorriso e bota para fora a sua angústia no melhor estilo adolescente: compondo uma música. Orgulhosa, a mãe mostra a paródia da música “Admirável Chip Novo” que Edilaine fez sobre sua situação.PANE NAS PLAQUETAS
Pane nas plaquetas
meu baço as disconfigurou
Para onde foram essas plaquetas?
Eu não sabia e nem tinha percebido
Eu sempre achei que estavam aí
Mas tava muito bom quando eu achava que
Tinha plaquetas de montão
Eu até tirei um baço
E achava que tinha me libertado
Mais lá vem eles novamente
Eu sei o que vou fazer
Tirar esse outro baço.
Faço gama
Não adianta
Até mesmo químio
Não adianta
Isso é covardia
Não quero mais internar!
Não quero mais internar!
1 comments:
Edilaine sei que é uma grande guerreira.Ainda hoje eu lembro do primeiro dia que você chegou em minha sala de aula.Quardo as histórias que escreveu,o livro que editamos,mas a maior conquista foi você ter conquistado nossos corações com esse jeitinho todo especial.Lembro que atribui uma qualidade á você."guerreira" é assim que eu te vejo sempre.Tenho muito orgulho de ter sido tua profº,mas o maior orgulho é vê-la tão corajosa.Deus me deu o privilêgio de ter você na minha vida.Beijos.Prof.ju
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